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    Como entender um homem...

    Ana conheceu Toni assim un pass un. Era o objeto de desejo de sua amiga Nina.
    Iam aos lugares onde sabiam que ele ia, tentando um encontro casual e num desse
    acabaram se falando.Trivialidades. A amiga Nina  conseguiu realizar a conquista 
    (um romance relâmpago) e logo em seguida Ana começou a receber telefonemas
    de Toni. Um oi linda, você  está bem? Sempre a pegava de surpresa e acabava
    tipo: Liguei pra saber como você está. Uma noite, um recadinho: Ana, você
    é muito especial pra mim.  Se estiver acordada me retorna!
    Um dia o primeiro encontro. Perfeito!  
    No dia seguinte um recadinho: - Ana, queria saber com está sendo
    o seu dia,
    porque o meu está sendo ótimo - seguido de outro:  Você é maravilhosa e
    especial pra mim e esta noite foi linda.
    Foi o inicio de um namoro via telefone e torpedos, pois os horários de ambos
    eram desencontrados. O segundo encontro custou a acontecer e o terceiro mais
    ainda. Ana trabalha de 2ª a sexta e Toni  passa a semana viajando e trabalha na
    noite nos fins de semana. Tava ficando morna a relação e não tinha passado do
    terceiro encontro...Ele sempre ligava doce e gentil mas não se encontravam.
    Um dia ele comentou que ela parecia mudada, fria; ela disse que não, apenas
    estava conformada, pois não podia mudar o rumo das coisas. Já havia se
    passado mais de um mês sem se verem e – morando na mesma cidade.
    Mais duas semana e o telefone toca às duas e meia da manhã. Ele
    chegava de uma viagem e queria vê-la.   Agora? Sim...Ela saiu da cama, lavou
    o rosto e vestiu-se. Recebeu-o  saudosa.
    Toni deitou-se a seu lado, acariciou seus cabelos e conversaram por toda a
    madrugada, apenas isso...Ele falou de seu cansaço, seus projetos e ela ouvia
    e opinava.  Às vezes fazia-se  momentos de silencio e ela percebia-se
    observada por ele e respondia ao olhar com um meio sorriso que ele retribuía
    cheio de ternura. O dia já amanhecia  quando ele a abraçou e seu corpo tremeu,
    mas ele  apenas tocou-lhes os lábios e dormiu...
    A tarde já adentrava quando ele acordou. Tomou um banho e sentou-se na
    cozinha junto com  ela e conversaram enquanto tomavam o café.
    Depois se foi. Ana passou o resto do dia num misto de ansiedade e vazio.
    À noite enquanto lia o jornal Toni telefona e pergunta:  O que vai  fazer amanhã?
    Ela diz que pretende ir à praia. Ele comenta:     Eu  queria dormir sem hora pra
    acordar... Ela diz que pode deixar a praia pra outro dia e ele diz que está chegando.
    Ele senta-se na sala e lê o jornal, depois toma um banho e vai pro quarto
    Ana está sentada na cama arrumando uns papéis.Ele senta-se a seu lado,pega um 
    mp3-player que está ali, ela orienta sobre como usa-lo e ele coloca os auscultadores
    nos ouvidos e deita-se atravessado na cama. As horas vão passando e ele ali quieto
    ouvindo música como se estivesse em transe.
    Num momento ela decide deitar-se ele apenas se ajeita a seu lado.O som é tão
    alto que ela consegue ouvir a música deitada ali ao lado dele que às vezes fica
    a olha-la em silencio enquanto lhes acaricia os cabelos. Passam-se horas até que
    ela adormece. Quando desperta o dia já está amanhecendo de novo e ele ali ainda
    acordado, viajando nas canções de Elton John. Por fim a música acaba e ele a
    abraça e ela novamente sente o corpo queimar de ansiedade, mas ele beija-a
    ternamente e  dorme a manhã inteira... Quando levanta-se repete o ritual do dia
    anterior e depois se vai dizendo que está se sentindo muito bem e que precisava
    daqueles momentos vividos ali.
    Agora sozinha Ana repensa estas duas noites deitada ao lado de um homem,
    desejando ser tocada por ele, sentindo seu corpo estremecer a cada olhar
    e respeitando a opção dele de ficar ali em silencio na sua casa, em sua cama,
    quando ele poderia ter ido pra sua própria casa e vivido esses momentos com
    ele mesmo. Ela não consegue entender qual foi o seu papel...